Até pra não falar só de futebol, estivemos (eu e minha ilustre presença) visitando neste Domingo a 29ª Bienal de São Paulo, no Parque do Ibirapuera. Trata-se de uma das mais importantes exposições de arte contemporânea do mundo. Mas sendo no Brasil, é com certeza a mais legal de todas.
Bom, chegar andando pela marquise já é uma experiência contemporânea, tem de tudo ali, o Tiririca não chamaria a menor atenção. Já aí eu estava contemporanizado. Mas a Bienal dessa vez começa antes mesmo de entrar, há 6 instalações em áreas externas ao pavilhão. A entrada de todo modo é gratuita, o que certamente permite uma participação maior da coletividade, aê truta (sic). Pra finalizar, da fila, ainda tive o privilégio de assistir a um grupo de umas 100 pessoas peladas, pintadas, tocando ou dançando, numa manifestação tipicamente glauberiana. Como vieram, se foram... Eu pessoalmente já não me impressiono com nada.
Entramos (eu e ela). A Bienal é boa. Muita fotografia, muito vídeo, várias instalações, esculturas... Dois casais de velhinhos mexicanos ensinam como dançar com mais de 90 anos. Há uma exposição fotográfica muito boa sobre o Cacique de Ramos. Aliás, algumas das melhores obras certamente são de brasileiros. Mas quer saber uma coisa, vamos direto às obras que geraram polêmica, a das armas apontadas para os políticos e a dos urubus presos! Na primeira, temos imagens do próprio artista apontando uma arma para personalidades políticas: num quadro é o Bush, no outro o Ahmadinejad, o FHC, o Lula... todos visivelmente acuados. Na outra, urubus soltos e uma grande escultura são observados num espaço imenso cercado por uma rede, no meio das rampas entre o 1º e o 2º andar. Em ambas as interessantes obras, os papéis parecem invertidos, a realidade subvertida, e não há nada mais próprio da arte contemporânea do que um movimento inesperado em direção ao improvável... ou não.
A música parece-me de certo modo uma expressão subexplorada, a não ser como pano de fundo. Por outro lado, há obras que exploram aspectos inusitados, como o aroma, a memória ou mesmo a física. Em resumo, tem muita coisa pra ver, dá pra se perder lá dentro, é pra ir mais de uma vez, até porque é de graça. Completam o ambiente uma lanchonete e uma Livraria da Vila, adaptada em um dos andares. Vai até 12/12 e funciona todos os dias, Quinta e Sexta até as 22hs, nos demais dias até as 19hs (mas as portas fecham uma hora antes do encerramento).
Eis a Bienal... aberto o Carnaval!
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